domingo, 20 de novembro de 2011

Rio Grande do Sul.



Sou gaúcha fronteiriça
do velho pago liberto;
nasci num rancho modesto,
coberto de santa-fé...
Cresci nos verdes regatos,
tendo o perfume dos matos,
brincando de bem-me-quer.

Sou gauchinha charrua,
simples como a natureza;
não conheço a tal tristeza,
vivendo aqui no interior...
Adoro a simplicidade;
sei domar a falsidade,
para não sofrer por amor.

Uso cabelos compridos
e um vestido, assim, de chita;
dizem que sou bonita,
mas não sei se sou assim...
Levanto-me bem cedinho
para ouvir os passarinhos,
que vêm cantar no jardim.

Já estou fazendo as lidas,
quando o dia vem clareando;
passo as tardes campereando,
não ligo para tempo feio...
Sei montar qualquer cavalo,
animais xucros eu pealo;
e sei até parar rodeio.

Sou assim, com pouco ensino,
não conheço a moda nova,
mesmo, assim, já tive a prova
dessa vã filosofia...
Não sei palavras bonitas;
sou uma boneca de chita,
mas não sou miss fantasia!

Gosto de ir aos fandangos
dançar xotes e vaneiras;
as tradições galponeiras
eu cultivo, com prazer;
faço delas o meu rito,
e desses campos bonitos
minha razão de viver.

Dizem que sou atrasada;
uso o dialeto pampeano,
carrego o dom franciscano
pelas coisas naturais...
Sou, mesmo, bem diferente
do tal homem de postura
que, em nome da cultura,
faz coisas irracionais!

A resistência farrapa
justifica o meu alento...
Sou tão livre quanto o vento,
que sopra sobre as campinas...
Morrerei, se for preciso,
por meu chão, que é um paraíso,
e as belas tradições sulinas!

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